Ironicamente, no meu sabático, gosto de refletir por que as pessoas trabalham tanto, correm de um lado para o outro e nunca têm tempo para elas. Uma lenda associada ao trabalho, é que o indivíduo precisa sobreviver. Atualmente, isso não é verdade. As necessidades básicas - como alimentação, moradia e vestuário - não são tão caras. A pessoa trabalha muito é para ter o que não precisa: trocar de carro todo ano, comprar novos modelos de aparelhos eletrônicos (sobretudo as TVs) ou passar os feriados em lugares da moda, onde não é raro encontrar o vizinho de condomínio.
Existe uma hipótese interessante que pode explicar este processo: o indivíduo usa o excesso de trabalho e inventa "a falta de tempo" para fugir da auto-crítica. Afinal, as empresas, após a revolução tecnológica, proporcionada principalmente pelos computadores e pela internet, não precisam de tantos trabalhadores. Mais importante, elas não querem os trabalhadores. É comum multinacionais demitirem milhares de operários de uma vez. O que acontece com essas pessoas? A maioria procura outro emprego. Mas as outras grandes empresas demitem trabalhadores em massa e os que ficam sofrem com excesso de trabalho e redução de salário, e acreditam que são os felizardos do processo ! Hello ?
No capitalismo, "a figura do homem trabalhador representou o ideal desta sociedade. Resta-nos perguntar: o que irá acontecer quando (...) à sociedade do trabalho, faltar o trabalho?" (Dahrendorf apud Masi) Corinne Maier é clara (p. 43): "todo mundo trabalha por dinheiro e pela montanha de coisas que se pode comprar com ele." Essas coisas não têm a ver com a sobrevivência do indivíduo. Elas são inventadas e produzidas. Posteriormente, com a ajuda do marketing, as pessoas são convencidas de que não poderiam viver sem elas. Compram carros e celulares. São produzidos novos modelos. Elas "precisam" dos novos modelos e assim por diante.
Existem ainda aqueles que adoram o próprio dinheiro:
"O amor ao dinheiro como propriedade, diferente do amor pelo dinheiro como meio de aproveitar dos prazeres da vida, será reconhecido por aquilo que é: uma paixão doentia, um pouco repugnante." (Masi, p. 100)
Domenico de Masi está correto. Como alguém pode ser feliz com a sua conta bancária - e não com o que pode fazer com aquele dinheiro? Avareza? Acumular capital para o futuro? Mas, como já disse em outros textos, o futuro do indivíduo não é a morte? Qual seria a vantagem de ter muito dinheiro neste momento (dinheiro que foi poupado porque a pessoa deixou de viver os prazeres da vida, como diria Masi, e trocou a felicidade do momento pela economia de capital para o futuro)? A "posse" do dinheiro gera uma satisfação parecida com a "posse" de um carro, uma fazenda ou um iate. É a ideologia da propriedade. Possuir uma conta bancária milionária e bens materiais como aviões e mansões, que foram conquistados ao longo da vida, teria qual utilidade no momento final, na hora de avaliar o que o indivíduo fez da sua história? Tanto esforço, tantas economias, tantos conflitos... Tanta riqueza material que, na hora da morte, deixa de ser da pessoa. Pior, nesse momento, tudo aquilo não tem utilidade alguma para o indivíduo.
O que acontece? Por que insistir em participar de uma festa que não foi convidado? Querer, a todo custo, entrar numa empresa que não precisa de você e se conseguir, ser humilhado em funções inadequadas a sua capacidade e ainda ter que aceitar reduções de salário... qual seria o sentido desta obsessão? Medo de si. Fugir. Correr. Vale qualquer coisa para não ficar parado e "pensar na vida". O que importa seria evitar uma simples, saudável e necessária auto-crítica.
sexta-feira, 11 de março de 2011
A POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO LULA
Historicamente, a diplomacia brasileira sempre foi pautada por posturas serenas e ficava distante de líderes internacionais polêmicos e radicais, como seriam os casos de Hugo Chávez da Venezuela e Mahmoud Ahmadinejad do Irã. O ex-presidente Lula mudou isso, achando que seria considerado uma nova liderança mundial. Entretanto, o efeito foi o contrário. A liderança brasileira tornou-se motivo de piada e comprometeu a imagem do país no cenário internacional.
Um exemplo foi uma sátira na tv de Israel (http://www.youtube.com/watch?v=gw78mc8zcnI). Lula foi mostrado como um líder inexperiente e desinformado, que não deveria interferir nas questões do oriente médio.
Outro exemplo foi o jornal norte-americano Washington Post. O jornalista Jackson Diel analisou os fracassos de Lula no exterior. Foi lembrado o apoio do presidente brasileiro ao Irã e a resposta negativa do governo desse país quando Lula ofereceu asilo à uma mulher condenada a morte. O jornal Folha de São Paulo, no artigo "Lula é melhor amigo dos tiranos do mundo democrático, diz colunista do Post" (03/08/2010), traduziu trechos do colunista norte-americano:
"Diehl diz que Lula 'foi mais uma vez humilhado por um de seus clientes', o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, 'patrocinador do terrorismo e que nega o Holocausto, a quem Lula publicamente abraçou - literalmente'. Segundo Diehl, o governo de Ahmadinejad usou de 'condescendência refinada' para descrever Lula como 'mole'."
Ironicamente, a sátira da tv israelense, quando mostrava um Lula mal informado, foi, de certa forma, confirmada na nota do governo do Irã - Lula "é uma pessoa muito humana e emotiva que provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso", o que ainda deu a entender que o líder brasileiro seria "fraco", como lembrou Jackson Diel. Além disto a preocupação em dar asilo à uma condenada a morte contradizia com o apoio de presidente brasileiro ao governo cubano, como foi citado no jornal:
"O líder iraniano 'não é o único ditador a explorar o apoio incondicional de Lula', continua Diehl em seu artigo. 'Lula estava ocupado, alisando Raul e Fidel Castro em Cuba em fevereiro passado, quando o regime anunciou que um dissidente preso, Orlando Zapata Tamayo, morreu em greve de fome'."
A defesa constante de Hugo Chávez da Venezuela, que Lula insistia em dizer que era democrático, foi outro exemplo do seu governo no que dizia respeito à política externa.
Com dois meses de governo e diante das crises dos ditadores africanos - Egito e Líbia -, a presidente Dilma Roussef deu sinais que mudaria de rumo e que não seria uma aliada dos regimes autoritários. Na sua visita à Argentina, a presidente fez questão de receber as líderes das mães dos desaparecidos políticos. Tratou-se de uma postura clara em favor dos direitos humanos. Aparentemente, a diplomacia brasileira retomará o caminho certo nas relações internacionais.
Um exemplo foi uma sátira na tv de Israel (http://www.youtube.com/watch?v=gw78mc8zcnI). Lula foi mostrado como um líder inexperiente e desinformado, que não deveria interferir nas questões do oriente médio.
Outro exemplo foi o jornal norte-americano Washington Post. O jornalista Jackson Diel analisou os fracassos de Lula no exterior. Foi lembrado o apoio do presidente brasileiro ao Irã e a resposta negativa do governo desse país quando Lula ofereceu asilo à uma mulher condenada a morte. O jornal Folha de São Paulo, no artigo "Lula é melhor amigo dos tiranos do mundo democrático, diz colunista do Post" (03/08/2010), traduziu trechos do colunista norte-americano:
"Diehl diz que Lula 'foi mais uma vez humilhado por um de seus clientes', o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, 'patrocinador do terrorismo e que nega o Holocausto, a quem Lula publicamente abraçou - literalmente'. Segundo Diehl, o governo de Ahmadinejad usou de 'condescendência refinada' para descrever Lula como 'mole'."
Ironicamente, a sátira da tv israelense, quando mostrava um Lula mal informado, foi, de certa forma, confirmada na nota do governo do Irã - Lula "é uma pessoa muito humana e emotiva que provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso", o que ainda deu a entender que o líder brasileiro seria "fraco", como lembrou Jackson Diel. Além disto a preocupação em dar asilo à uma condenada a morte contradizia com o apoio de presidente brasileiro ao governo cubano, como foi citado no jornal:
"O líder iraniano 'não é o único ditador a explorar o apoio incondicional de Lula', continua Diehl em seu artigo. 'Lula estava ocupado, alisando Raul e Fidel Castro em Cuba em fevereiro passado, quando o regime anunciou que um dissidente preso, Orlando Zapata Tamayo, morreu em greve de fome'."
A defesa constante de Hugo Chávez da Venezuela, que Lula insistia em dizer que era democrático, foi outro exemplo do seu governo no que dizia respeito à política externa.
Com dois meses de governo e diante das crises dos ditadores africanos - Egito e Líbia -, a presidente Dilma Roussef deu sinais que mudaria de rumo e que não seria uma aliada dos regimes autoritários. Na sua visita à Argentina, a presidente fez questão de receber as líderes das mães dos desaparecidos políticos. Tratou-se de uma postura clara em favor dos direitos humanos. Aparentemente, a diplomacia brasileira retomará o caminho certo nas relações internacionais.
TEMPO, TRABALHO E PROPRIEDADE
Quando faltam argumentos para os pais, nas discussões com os filhos, eles utilizam dois discursos: o do trabalho e o da propriedade. Ou seja, um deles costuma dizer: "eu TRABALHO e sustento essa casa" ou "essa CASA é minha, quando você morar no que é seu..." Claro que não são só os pais. Estes discursos são utilizados em brigas de casais ou mesmo entre amigos que dividem o mesmo lugar.
Historicamente, o trabalho foi mal visto nas sociedades, era associado a punição ou a tortura. No capitalismo, há o elogio do trabalho e a propriedade individual aparece como símbolo de riqueza. Dahrendorf (apud Masi, p. 82) destaca:
" A educação era orientada como preparação para o mundo do trabalho, o tempo livre como descanso para o novo trabalho, a aposentadoria como recompensa por uma vida de trabalho. Além disso, o trabalho não era apenas considerado necessário para ganhar a vida, mas também como valor em si. Havia um orgulho no trabalho e nas realizações no trabalho. A preguiça era estigmatizada."
Esse mundo não existe mais, porém a ideologia permanece. A base do discurso é o sentimento de culpa: se eu trabalhei o dia inteiro, eu posso tomar um chopp no fim do dia. O trabalho é a referência. Tenho que sofrer primeiro (e muito - o dia inteiro, por exemplo), para ter prazer no final (poucas horas no "happy hour"). Tudo existe em função do trabalho. O tempo livre não existe sozinho. Ele é o intervalo para um "novo trabalho."
Muitas pessoas não precisam trabalhar e trabalham. Por quê? Porque são cobradas. O ócio é criticado. O trabalho ganhou um "valor em si." Isso significa que ele existe mesmo quando não é necessário. Por isso, aliás, as pessoas passam horas dentro de uma repartição pública ou de um escritório fingindo que trabalham. Na verdade, ficam jogando paciência no computador ou navegando na internet ou, pior, gastam o tempo em reuniões para inventar regras (improdutivas) para controlar o tempo dos outros.
Tempo. Eis a palavra chave. Como você "vive" o seu tempo, no "aqui e agora"? "Tempo é dinheiro?" Então as pessoas estão muito pobres, afinal elas não têm tempo para nada...
Os homens, em cada época, definem o conceito de tempo e a maneira correta de usá-lo. O que se vive hoje tem a ver com o capitalismo (não é por acaso que o tempo é associado ao dinheiro). O problema é que vender o seu tempo para o outro seria como vender a sua alma, na medida em que você venderia aquilo que você é. Tempo perdido (ou tempo vendido) é tempo não recuperado. Não se vive o mesmo momento duas vezes. É uma escolha. Abrir mão de viver o "aqui e agora" é simplesmente abrir mão de viver.
Historicamente, o trabalho foi mal visto nas sociedades, era associado a punição ou a tortura. No capitalismo, há o elogio do trabalho e a propriedade individual aparece como símbolo de riqueza. Dahrendorf (apud Masi, p. 82) destaca:
" A educação era orientada como preparação para o mundo do trabalho, o tempo livre como descanso para o novo trabalho, a aposentadoria como recompensa por uma vida de trabalho. Além disso, o trabalho não era apenas considerado necessário para ganhar a vida, mas também como valor em si. Havia um orgulho no trabalho e nas realizações no trabalho. A preguiça era estigmatizada."
Esse mundo não existe mais, porém a ideologia permanece. A base do discurso é o sentimento de culpa: se eu trabalhei o dia inteiro, eu posso tomar um chopp no fim do dia. O trabalho é a referência. Tenho que sofrer primeiro (e muito - o dia inteiro, por exemplo), para ter prazer no final (poucas horas no "happy hour"). Tudo existe em função do trabalho. O tempo livre não existe sozinho. Ele é o intervalo para um "novo trabalho."
Muitas pessoas não precisam trabalhar e trabalham. Por quê? Porque são cobradas. O ócio é criticado. O trabalho ganhou um "valor em si." Isso significa que ele existe mesmo quando não é necessário. Por isso, aliás, as pessoas passam horas dentro de uma repartição pública ou de um escritório fingindo que trabalham. Na verdade, ficam jogando paciência no computador ou navegando na internet ou, pior, gastam o tempo em reuniões para inventar regras (improdutivas) para controlar o tempo dos outros.
Tempo. Eis a palavra chave. Como você "vive" o seu tempo, no "aqui e agora"? "Tempo é dinheiro?" Então as pessoas estão muito pobres, afinal elas não têm tempo para nada...
Os homens, em cada época, definem o conceito de tempo e a maneira correta de usá-lo. O que se vive hoje tem a ver com o capitalismo (não é por acaso que o tempo é associado ao dinheiro). O problema é que vender o seu tempo para o outro seria como vender a sua alma, na medida em que você venderia aquilo que você é. Tempo perdido (ou tempo vendido) é tempo não recuperado. Não se vive o mesmo momento duas vezes. É uma escolha. Abrir mão de viver o "aqui e agora" é simplesmente abrir mão de viver.
quinta-feira, 3 de março de 2011
KARL MARX
Ernest Mandel, em 1978, na sua introdução ao segundo volume do Capital (p. 79) de Marx (Editora Penguin) escreveu [* ver obs. no final do texto]:
"Following the social explosion initiated in the Western world by May '68 in France, the severe generalized recession of 1974-75 has confirmed Marx's basic analysis. (...) The only possible remedy for economic crises of over-production and social crises of class struggle is the elimination of capitalism and class society. No other solution will be found, either in theory or in practice. This awe-inspiring prediction made by Marx has been borne out by empirical evidence ever since 'Capital' was written. There is no sign that it will be contradicted by current or future developments."
Após as crises de 1968 e de 1974-75, o mundo passou por outras mudanças importantes. O fim do socialismo real nos países do leste europeu, o avanço das tecnologias da informação - a invenção do computador pessoal e da internet - e os ataques de 11 de setembro de 2001 são alguns exemplos. O capitalismo, como sistema de geração de riqueza para uma minoria e exclusão da maioria, continua essencialmente o mesmo. Nisto, não há como negar que, até hoje, a melhor análise feita sobre esse modo de produção foi aquela de Karl Marx.
A solução proposta por Marx era simples, como destaca Mandel: trata-se da "eliminação do capitalismo e da sociedade de classe." Entretanto, isso não aconteceu ainda. As tentativas dos países do leste europeu fracassaram. Países como Cuba e Coréia do Norte são vistos como ditaduras atualmente. Na China, existe um jogo "duplo". De uma lado, são utilizados os símbolos comunistas. A política do partido único, da censura e da falta de liberdade ainda permanecem. Por outro lado, a China tornou-se a maior economia do mundo e incentiva o consumismo.
Com a crise dos países do leste europeu, muitos defenderam "o fim da história" e a vitória do capitalismo, como se isso representasse o fim das contradições. Na verdade, os homens continuam fazendo a sua história, os ricos continuam cada vez mais acumulando capital e a miséria da maioria permanece. A culpa pelo 11 de setembro foi associada aos grupos terroristas islâmicos, o que demonstrou, de fato, que milhões de pessoas, de diferentes culturas e religiões, não aceitam o modo de vida neoliberal que é imposto no processo de globalização. Se antes, ideologicamente, o inimigo era o comunismo, depois de 2001, passou a ser o terrorismo. Inimigo de quem ou do quê? ... da acumulação de capital (para poucos)? do consumismo? da alienação? da miséria da maioria?
Os homens fazem a sua história e ela não acabou. Nesta perspectiva, não é possível determinar o que acontecerá no futuro. Esse discurso que afirma que o neoliberalismo representa o último estágio da história da humanidade é apenas uma ideologia que visa impedir as pessoas de criarem os seus próprios caminhos e viverem as suas experiências.
[* obs.: os trechos em inglês podem ser traduzidos automaticamente com a ferramenta de idiomas do Google.]
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"Following the social explosion initiated in the Western world by May '68 in France, the severe generalized recession of 1974-75 has confirmed Marx's basic analysis. (...) The only possible remedy for economic crises of over-production and social crises of class struggle is the elimination of capitalism and class society. No other solution will be found, either in theory or in practice. This awe-inspiring prediction made by Marx has been borne out by empirical evidence ever since 'Capital' was written. There is no sign that it will be contradicted by current or future developments."
Após as crises de 1968 e de 1974-75, o mundo passou por outras mudanças importantes. O fim do socialismo real nos países do leste europeu, o avanço das tecnologias da informação - a invenção do computador pessoal e da internet - e os ataques de 11 de setembro de 2001 são alguns exemplos. O capitalismo, como sistema de geração de riqueza para uma minoria e exclusão da maioria, continua essencialmente o mesmo. Nisto, não há como negar que, até hoje, a melhor análise feita sobre esse modo de produção foi aquela de Karl Marx.
A solução proposta por Marx era simples, como destaca Mandel: trata-se da "eliminação do capitalismo e da sociedade de classe." Entretanto, isso não aconteceu ainda. As tentativas dos países do leste europeu fracassaram. Países como Cuba e Coréia do Norte são vistos como ditaduras atualmente. Na China, existe um jogo "duplo". De uma lado, são utilizados os símbolos comunistas. A política do partido único, da censura e da falta de liberdade ainda permanecem. Por outro lado, a China tornou-se a maior economia do mundo e incentiva o consumismo.
Com a crise dos países do leste europeu, muitos defenderam "o fim da história" e a vitória do capitalismo, como se isso representasse o fim das contradições. Na verdade, os homens continuam fazendo a sua história, os ricos continuam cada vez mais acumulando capital e a miséria da maioria permanece. A culpa pelo 11 de setembro foi associada aos grupos terroristas islâmicos, o que demonstrou, de fato, que milhões de pessoas, de diferentes culturas e religiões, não aceitam o modo de vida neoliberal que é imposto no processo de globalização. Se antes, ideologicamente, o inimigo era o comunismo, depois de 2001, passou a ser o terrorismo. Inimigo de quem ou do quê? ... da acumulação de capital (para poucos)? do consumismo? da alienação? da miséria da maioria?
Os homens fazem a sua história e ela não acabou. Nesta perspectiva, não é possível determinar o que acontecerá no futuro. Esse discurso que afirma que o neoliberalismo representa o último estágio da história da humanidade é apenas uma ideologia que visa impedir as pessoas de criarem os seus próprios caminhos e viverem as suas experiências.
[* obs.: os trechos em inglês podem ser traduzidos automaticamente com a ferramenta de idiomas do Google.]
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
POLITICAMENTE CORRETO
Eu não sou viciado em cigarros, bebidas alcoólicas, drogas, sexo, religião ou qualquer outra coisa. Fumo, eventualmente, Cohibas e bebo Jack Daniel's e Heineken. O que eu não suporto é o chamado "politicamente correto", que não é uma lei mas uma "mentalidade" usada por alguns para policiar os outros. Reconheço que isso é mais eficaz do que uma proibição por lei.
De fato, o movimento do "politicamente correto" serve como base para manter ou criar leis que inibem as liberdades dos indivíduos.
Uma vez, um rapaz da Suíça me disse que lá o tráfico era proibido mas o consumo era liberado. Eu perguntei: "como?" Ele disse que quem gostava de fumar maconha, por exemplo, poderia plantar a "cannabis" em casa, para o consumo próprio. Em uma de suas prisões por porte de maconha, Paul McCartney disse que a "cannabis" não fazia mal como os cigarros e as bebidas alcoólicas, o que é verdade.
Nos Estados Unidos, na década de 1920, a lei seca proibiu o consumo de bebidas alcoólicas em todo o país. Resolveu? Não. Foi criado um comércio ilegal e mais indivíduos passaram "a beber em excesso." (William J. Helmer) Se o crime organizado no Brasil foi resultado do contato entre presos comuns e presos políticos na ditadura militar, nos Estados Unidos, foi a partir da proibição das bebidas alcoólicas que o crime organizado ganhou todo o país. A lei seca não deu certo e o consumo voltou a ser liberado.
Este exemplo é usado no debate sobre as drogas. A proibição torna caro o preço do produto e os viciados precisam roubar para poder consumir, o que aumenta os índices de criminalidade. Por causa do tráfico, aumenta também o processo de corrupção de policiais e autoridades governamentais. É criado um ciclo de violência que prejudica sobretudo os cidadãos comuns. Quem viu Tropa Elite 2, percebeu que o problema não é só um caso de repressão policial. Não é também algo localizado, que aconteceria somente num bairro ou numa cidade. Trata-se de um problema internacional. Por enquanto, parece não haver interesse em solucionar a questão e sim usar a luta contra as drogas como um discurso ideológico. Em outras palavras, como não existe mais o fantasma do comunismo, a droga tornou-se a principal causa de todos os problemas sociais.
De fato, o movimento do "politicamente correto" serve como base para manter ou criar leis que inibem as liberdades dos indivíduos.
Uma vez, um rapaz da Suíça me disse que lá o tráfico era proibido mas o consumo era liberado. Eu perguntei: "como?" Ele disse que quem gostava de fumar maconha, por exemplo, poderia plantar a "cannabis" em casa, para o consumo próprio. Em uma de suas prisões por porte de maconha, Paul McCartney disse que a "cannabis" não fazia mal como os cigarros e as bebidas alcoólicas, o que é verdade.
Nos Estados Unidos, na década de 1920, a lei seca proibiu o consumo de bebidas alcoólicas em todo o país. Resolveu? Não. Foi criado um comércio ilegal e mais indivíduos passaram "a beber em excesso." (William J. Helmer) Se o crime organizado no Brasil foi resultado do contato entre presos comuns e presos políticos na ditadura militar, nos Estados Unidos, foi a partir da proibição das bebidas alcoólicas que o crime organizado ganhou todo o país. A lei seca não deu certo e o consumo voltou a ser liberado.
Este exemplo é usado no debate sobre as drogas. A proibição torna caro o preço do produto e os viciados precisam roubar para poder consumir, o que aumenta os índices de criminalidade. Por causa do tráfico, aumenta também o processo de corrupção de policiais e autoridades governamentais. É criado um ciclo de violência que prejudica sobretudo os cidadãos comuns. Quem viu Tropa Elite 2, percebeu que o problema não é só um caso de repressão policial. Não é também algo localizado, que aconteceria somente num bairro ou numa cidade. Trata-se de um problema internacional. Por enquanto, parece não haver interesse em solucionar a questão e sim usar a luta contra as drogas como um discurso ideológico. Em outras palavras, como não existe mais o fantasma do comunismo, a droga tornou-se a principal causa de todos os problemas sociais.
REACIONÁRIOS
Ted Nugent diz que " se você está na América, deve falar em inglês" - como se essa fosse a língua "natural" daquele território. Ele esquece que antes dos ingleses chegarem por lá, havia índios, assim como em outras terras do continente. Outro erro é referir aos Estados Unidos como "América", como se fosse um único país num único continente. O certo é Estados Unidos da América do Norte - que faz divisa com dois outros países: Canadá e México. Existem ainda a América Central e a América do Sul, com vários países cada uma.
Esse tipo de discurso reacionário é a base da letra de "One in a Million" do Guns n' Roses:
"Police and niggers, that's right
Get out of my way
(...) Immigrants and faggots
They make no sense to me
They come to our country
And think they'll do as they please."
Mais uma vez, o discurso contra os imigrantes, que são tratados como invasores. Axl Rose, em sua música, amplia o seu ódio, atacando os negros, os homossexuais e os policiais. A música encontra-se no CD "Lies". Posteriormente, Rose tentou se justificar e no show em homenagem ao Freddy Mercury, cantou junto com Elton John. Entretanto, parece que não convenceu muita gente.
As agressões contra imigrantes são comuns nos países europeus. Políticos de extrema direita simplesmente defendem a expulsão deles do continente. Recentemente, no Brasil, houve atos de homofobia. A intolerância nem sempre é reprimida adequadamente pelas autoridades, o que acaba servindo de incentivo para outros ataques e manifestações reacionárias seja na música ou em outros meios de comunicação.
Esse tipo de discurso reacionário é a base da letra de "One in a Million" do Guns n' Roses:
"Police and niggers, that's right
Get out of my way
(...) Immigrants and faggots
They make no sense to me
They come to our country
And think they'll do as they please."
Mais uma vez, o discurso contra os imigrantes, que são tratados como invasores. Axl Rose, em sua música, amplia o seu ódio, atacando os negros, os homossexuais e os policiais. A música encontra-se no CD "Lies". Posteriormente, Rose tentou se justificar e no show em homenagem ao Freddy Mercury, cantou junto com Elton John. Entretanto, parece que não convenceu muita gente.
As agressões contra imigrantes são comuns nos países europeus. Políticos de extrema direita simplesmente defendem a expulsão deles do continente. Recentemente, no Brasil, houve atos de homofobia. A intolerância nem sempre é reprimida adequadamente pelas autoridades, o que acaba servindo de incentivo para outros ataques e manifestações reacionárias seja na música ou em outros meios de comunicação.
A EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Este texto é uma pequena homenagem ao Prof. Dr. Bernard Bernadino, um dos maiores educadores que eu conheci.
Nos oito anos do governo Lula, houve um desprezo quanto à educação. O presidente se elogiava por não ter estudado e ter chegado ao executivo federal. Dizia que não precisava saber línguas estrangeiras, pois era acompanhado de especialistas em suas viagens internacionais. Quando tinha oportunidade, criticava os bolsistas do doutorado, como se eles fossem desnecessários. Além da grande expansão no número de faculdades particulares, houve a dispensa em massa de professores com doutorado e mestrado. Era reforçada a mentalidade de que conhecimento não era importante. O exemplo começava na presidência da República.
O resultado disto tudo será percebido principalmente a longo prazo. Os sinais, contudo, começaram na gestão do presidente petista. Um deles foi o agravamento da indisciplina e da falta de respeito ao professor em todo o país. Em 2009, um professor foi assassinado por drogados, em sala de aula, na frente dos alunos. Em 2010, ocorreram outros casos graves. Em Porto Alegre, um aluno de uma escola técnica quebrou os dois braços da professora por causa de uma nota "C". Em Belo Horizonte, numa faculdade particular - Instituto Isabela Hendrix -, um aluno, que havia sido reprovado, matou um professor com facadas. O docente faleceu dentro da sala de aula.
Em dezembro de 2010, este tema tornou-se pauta do "Profissão Repórter" da TV Globo. Foram citadas várias escolas e depoimentos de diretores, professores e alunos. Numa escola estadual em Florianópolis, em virtude de uma agressão contra a diretora, os professores entraram em greve. Maurício, professor de História, estava bastante desanimado, pois não conseguia controlar os alunos. Só metade, de quem estava na sala, prestava atenção no que o professor dizia e ainda era agredida pelos alunos indisciplinados. Em depoimento, a professora Elizabeth disse que quando pensava em sala de aula, sentia depressão e náusea. E completou: "cansei de remar contra a maré e não volto à sala de aula." Numa escola municipal do Rio de Janeiro, o diagnóstico de outra professora foi de Transtorno Pós-Traumático. O caso era tão grave, que a professora tinha medo de sair na rua. Na sua opinião, além do que os alunos faziam, havia falta de apoio da direção da escola.
Diante deste quadro, uma das primeiras propagandas do governo Dilma foi uma que destacava a profissão e a importância do professor. Auto-crítica do PT? Não. O fato é que ninguém quer ser professor. Como as escolas e faculdades funcionariam sem os professores? O que os filhos ficariam fazendo enquanto os pais estão trabalhando? Eles vão para as escolas... mas... e se não existirem professores? Pior: com a desqualificação da profissão, qualquer um poderia entrar na sala de aula e se apresentar como "professor" - sem ter formação adequada. Já imaginou? Além da violência e do erotismo que aparecem na TV, os filhos estariam entregues diariamente, nas escolas, nas mãos de profissionais sem qualificação. Três "aparelhos" (como diria Althusser) básicos na formação do cidadão: a família (ausência dos pais), a escola e os meios de comunicação, sobretudo a TV... dá para imaginar o resultado? Se, hoje em dia, as pessoas reclamam que não existe mais respeito à autoridade e o que se vê é uma violência absurda no cotidiano, o que ocorrerá daqui alguns anos, quando as crianças e os adolescentes desta geração chegarem à vida adulta? Assustador? "Welcome to the future..."
Nos oito anos do governo Lula, houve um desprezo quanto à educação. O presidente se elogiava por não ter estudado e ter chegado ao executivo federal. Dizia que não precisava saber línguas estrangeiras, pois era acompanhado de especialistas em suas viagens internacionais. Quando tinha oportunidade, criticava os bolsistas do doutorado, como se eles fossem desnecessários. Além da grande expansão no número de faculdades particulares, houve a dispensa em massa de professores com doutorado e mestrado. Era reforçada a mentalidade de que conhecimento não era importante. O exemplo começava na presidência da República.
O resultado disto tudo será percebido principalmente a longo prazo. Os sinais, contudo, começaram na gestão do presidente petista. Um deles foi o agravamento da indisciplina e da falta de respeito ao professor em todo o país. Em 2009, um professor foi assassinado por drogados, em sala de aula, na frente dos alunos. Em 2010, ocorreram outros casos graves. Em Porto Alegre, um aluno de uma escola técnica quebrou os dois braços da professora por causa de uma nota "C". Em Belo Horizonte, numa faculdade particular - Instituto Isabela Hendrix -, um aluno, que havia sido reprovado, matou um professor com facadas. O docente faleceu dentro da sala de aula.
Em dezembro de 2010, este tema tornou-se pauta do "Profissão Repórter" da TV Globo. Foram citadas várias escolas e depoimentos de diretores, professores e alunos. Numa escola estadual em Florianópolis, em virtude de uma agressão contra a diretora, os professores entraram em greve. Maurício, professor de História, estava bastante desanimado, pois não conseguia controlar os alunos. Só metade, de quem estava na sala, prestava atenção no que o professor dizia e ainda era agredida pelos alunos indisciplinados. Em depoimento, a professora Elizabeth disse que quando pensava em sala de aula, sentia depressão e náusea. E completou: "cansei de remar contra a maré e não volto à sala de aula." Numa escola municipal do Rio de Janeiro, o diagnóstico de outra professora foi de Transtorno Pós-Traumático. O caso era tão grave, que a professora tinha medo de sair na rua. Na sua opinião, além do que os alunos faziam, havia falta de apoio da direção da escola.
Diante deste quadro, uma das primeiras propagandas do governo Dilma foi uma que destacava a profissão e a importância do professor. Auto-crítica do PT? Não. O fato é que ninguém quer ser professor. Como as escolas e faculdades funcionariam sem os professores? O que os filhos ficariam fazendo enquanto os pais estão trabalhando? Eles vão para as escolas... mas... e se não existirem professores? Pior: com a desqualificação da profissão, qualquer um poderia entrar na sala de aula e se apresentar como "professor" - sem ter formação adequada. Já imaginou? Além da violência e do erotismo que aparecem na TV, os filhos estariam entregues diariamente, nas escolas, nas mãos de profissionais sem qualificação. Três "aparelhos" (como diria Althusser) básicos na formação do cidadão: a família (ausência dos pais), a escola e os meios de comunicação, sobretudo a TV... dá para imaginar o resultado? Se, hoje em dia, as pessoas reclamam que não existe mais respeito à autoridade e o que se vê é uma violência absurda no cotidiano, o que ocorrerá daqui alguns anos, quando as crianças e os adolescentes desta geração chegarem à vida adulta? Assustador? "Welcome to the future..."
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