quinta-feira, 21 de novembro de 2013

COTIDIANO E ALIENAÇÃO

Problematizar a alienação não é algo simples. O pressuposto, basicamente, seria que as pessoas são adultas e, portanto, seria possível discutir e desmistificar a realidade. Mas não é tão simples assim. Se o que mantém um indivíduo vivo seria a ilusão proporcionada pelos dogmas de uma religião, se isso for tirado dele, o que sobra? Gente mais esclarecida usa drogas legais (Lexotan, Prozac, Lithium, Zoloft, Rivotril, entre outros) e ilegais (cocaína e maconha, por exemplo) quando acham necessário no sentido de suportar as contradições da realidade. Mas e uma pessoa das chamadas classes populares? Karl Marx estava certo: a religião "é o ópio do povo." Trata-se de acreditar que tudo pode melhorar no futuro (que não existe) e aceitar o sofrimento do cotidiano (que é real). Novamente, Karl Marx: "O sofrimento religioso é, ao mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas." Aceitar que a dor seria necessária ao ser humano, de certa forma, seria como ter fé num "futuro perfeito". Alguns podem argumentar que o próprio Marx acreditou nisto ao defender o comunismo e o socialismo. Talvez. A minha sugestão é que, ao ler Marx, não deve ser confundida a sua prática política com a sua filosofia. Em outras palavras, trata-se de um pensamento sofisticado que não pode ser confundido com as práticas dos ditos comunistas desde a Revolução Russa até os dias de hoje.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

INTERNET, GLOBALIZAÇÃO E CAPITALISMO

Karl Marx já denunciava, no século XIX, as "tendências globais" do capitalismo e a transformação do homem em uma "mercadoria".

A partir da revolução tecnológica proporcionada pelo computador pessoal e pela Internet, tudo isso aparece mais claro aos olhos de todos e muitos pensadores - como Domenico de Masi e Pierre Lévi - tentam explicar o mundo atual. Conseguem? Não. As transformações são muito rápidas.

Alguns intelectuais, mesmo assim, tentam apresentar uma "resposta" para o que estaria ocorrendo no mundo. Na maioria dos casos, porém, aparecem mais palavras de ordem ou expressões gerais que servem para impressionar sobretudos as pessoas da classe média - consumistas e individualistas.

Andrew Keen utiliza termos como:

"a superexposição dos usuários,
(...) a 'doutrina da multidão' 
(...) 'geração sem mistério'
(...) 'ditadura da ignorância'." *

Interessa aos capitalistas descartar as diferenças individuais e tratar as pessoas como uma "massa de consumo". Doutrina da multidão? Provavelmente... mas sempre foi assim de acordo com os princípios desse sistema.

Para atingir os seus interesses e apresentar os seus objetivos particulares como a vontade da maioria, interessava às lideranças burguesas formar indivíduos alienados, pessoas incapazes de perceber que o que existira por trás desse discurso hegemônico. Ditadura da ignorância? Claro. Entretanto, isso é uma base do modo de produção e não algo criado recentemente.

O problema da 'superexposição dos usuários' da Internet não seria apenas produzir uma 'geração sem mistério'. A questão estaria, provavelmente, na causa de tal exibicionismo. O elogio da ostentação também não é algo novo ao capitalismo. Os indivíduos tentam criar, com seus bens materiais - financiados a longo prazo - uma realidade que não é verdadeira, ou seja, todos querem "parecer" ricos e bonitos. As ferramentas da Internet - como Facebook ou Twitter - somente facilitam esse processo.
Em suma, o capitalismo não mudou. O que aconteceu, com a tecnologia atual, foi um reforço de princípios que duram séculos.

* http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/twitter-e-facebook-vao-acabar-com-segredos-das-pessoas

quinta-feira, 12 de julho de 2012

POLÍTICA: JOGO DE XADREZ?

O ex-presidente Lula acredita que realmente é especial e que a sua popularidade lhe daria poderes especiais, como pressionar e chantagear um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido de adiar o julgamentos dos seus amigos no processo do "mensalão". Parece que Lula acredita ainda que as pessoas não lembram da sua oposição radical ao Paulo Maluf. A aliança com o ex-governador de São Paulo - com direito a uma foto histórica - deveria constranger qualquer petista que conhece a história do partido. A crença em "poderes especiais" pode ser explicada pelo poder que Lula exerce no Partido dos Trabalhadores, mas não há como negar também o papel dos dirigentes dos meios de comunicação de massa que insistem em não mostrar os grandes erros do seu governo. O mais óbvio e que não é debatido é o aumento no número de funcionários públicos, inclusive na ampliação de unidades do ensino superior. Ampliar, contratar e criar novas despesas era uma tarefa fácil para o ex-presidente - que conseguia a simpatia dos trabalhadores, sindicalistas e, portanto, obtinha um aumento em termos de votos nas eleições. O problema, claro, seria do seu sucessor, que teria que pagar os salários e cuidar da manutenção adequada das novas e das antigas unidades do governo federal. Esse é o problema da presidente Dilma. A greve nas universidades federais é justa, mas o problema não foi criado pela presidente atual. O mentor do projeto foi p ex-presidente Lula e a presidente Dilma não pode denunciá-lo não apenas por ser do mesmo partido político mas sobretudo por vê-lo como seu "padrinho político". É o que, entre alguns pensadores da esquerda, chamam de "complexo da dívida". Em 2009, no portal Terra aparecia uma matéria com o título: "Número de funcionários públicos cresce 11,75% no governo Lula". Os dados eram claros: "O Executivo federal tem hoje 542.843 servidores civis ativos, um acréscimo de 11,75% em relação aos 485.741 servidores no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. De acordo com o secretário de Gestão do Ministério do Planejamento, Marcelo Viana, houve a contratação de mais 57.102 servidores de 2003 até agora. Deste total, mais de 29 mil contratações ocorreram na área de educação, sendo 14 mil professores." * No Valor Econômico, em 09/07/2012, diante de uma "ameaça de greve geral", Lula era lembrado: "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a sua experiência de sindicalista, certa vez comparou a greve dos funcionários públicos a férias remuneradas. Por isso, no Brasil de hoje, existem trabalhadores de primeira e de segunda categoria: os servidores públicos, com todas as suas vantagens e um direito de greve especial; e os trabalhadores da iniciativa privada." ** A greve geral seria algo justificável, de acordo com o presidente da CUT, Artur Henrique: " 'Não dá para retroceder em relação aos oito anos de governo Lula (...) Não dá para esticar essa corda', diz, cobrando uma resposta rápida do governo, o que, segundo ele, poderia evitar uma greve geral dos servidores." *** Seria uma luta dos petistas contra petistas? O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, na mesma matéria do jornal Estado de São Paulo, afirma que trata-se de "um jogo de xadrez bem complexo." *** Complexo? Por quê? O problema seria como resolver uma crise iniciada pela liderança do PT sem "manchar a imagem" do Lula? O "jogo de xadrez" contará com novas "peças" do STF no julgamento do "mensalão" em agosto. Nesta nova etapa, provavelmente será mais difícil manter "limpa" a história política do ex-presidente Lula. * Número de funcionários públicos cresce 11,75% no governo Lula. 06/10/2009. http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4024735-EI7896,00-Numero+de+funcionarios+publicos+cresce+no+governo+Lula.html ** Ameaça de greve geral reaviva velhas discussões. Valor Econômico, 09/07/2012. http://www.valor.com.br/impresso/ Apud http://servidorpblicofederal.blogspot.com.br/ *** Marta SALOMON e Tânia MONTEIRO Sem Lula no Planalto, CUT aumenta pressão sobre Dilma por salário maior. O Estado de S.Paulo, 09/07/2012. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sem-lula-no-planalto-cut-aumenta-pressao-sobre-dilma-por-salario-maior-,897828,0.htm

terça-feira, 15 de maio de 2012

REVOLUÇÃO, SUICÍDIO E CRISE: 1845 E 2012

O país símbolo da crise atual é a Grécia. A aceitação de um plano de autoridade, com cortes nos salários e nas aposentarias, teve também, em 2012, o seu símbolo: o suicídio de um aposentado que dizia que preferia morrer do que perder a dignidade e morar nas ruas. Como foi dito em outro texto, em 2011, por causa da crise econômica, já havia ocorrido um aumento de 40% no número de suicídios neste país. (Notícias UOL) O suicídio, neste contexto, aparece como resultado de uma época em que as pessoas não acreditam em movimentos sociais, nos partidos políticos ou em revoluções. O único aspecto que permanece é a ganância da elite. A indiferença quanto aos desempregados, o aumento visível da miséria, também não é algo novo. Em 1845, Friederick Engels, diante da crise que vivia a maioria da população no Reino Unido, observava: "Se, ainda em tempo, a burguesia inglesa não parar para a reflexão - e tudo indica que isso certamente não ocorrerá - uma revolução, como nunca se viu até agora, acontecerá." (The Condition of the Working Class, p. 320) No século XIX, a revolução comunista era vista como a solução para a crise. A ação individual, como o suicídio ou qualquer outro ato, era descartada: "Além disto, não ocorre a qualquer comunista desejar a vingança individual ou acreditar nela. (...) É muito tarde para uma solução pacífica. As classes estão divididas (...)" (The Condition of the Working Class, p. 320-321) Os comunistas, em 1845, acreditavam na "certeza" de um evento que ocorreria no futuro: a revolução que acabaria com a divisão de classes. "As premissas [para isso] estariam nos inegáveis fatos decorrentes do desenvolvimento histórico e da natureza humana." (The Condition of the Working Class, p. 321) A revolução imaginada em 1845 não aconteceu. Em 2012, o indivíduo, diante da crise social, não imagina uma revolução como resposta. O problema, em 2012, é que esse mesmo indivíduo não apresenta outra alternativa. Daí, para alguns, o suicídio aparece como a única saída.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A QUALIDADE DO ENSINO SUPERIOR NO PAÍS

Os dirigentes do Ministério da Educação revelaram, agora em novembro de 2011, que, em dez anos, dobrou o número de estudantes nas universidades - 3 milhões em 2001 e 6.3 milhões em 2011. Reconheceram ainda que 15% dos alunos fazem parte do chamado Ensino a Distância (EaD).
Apesar do auto-elogio da propaganda oficial, é importante lembrar que trata-se de um discurso que destaca o aspecto quantitativo, quando o principal problema no setor diz respeito exatamente à questão da qualidade. Entretanto, não existe debate algum nesse sentido.
O resultado desta omissão pode ser percebido, por exemplo, na fala dos empresários. Eles reclamam do nível dos profissionais formados nas universidades brasileiras. Dizem que ocorre uma "apagão de talentos" no país e que seria necessário importar mão-de-obra.
Neste momento, cabe uma pergunta: o que é, de fato, o ensino superior no Brasil? Todos reconhecem que a maioria, atualmente, estuda em instituições particulares, normalmente em cursos noturnos.
Se na época do governo Fernando Henrique Cardoso, no setor educacional, o que mais chamava a atenção era o "Provão" - sistema de avaliação da educação superior, que ameaçava fechar as escolas que não apresentavam qualidades mínimas de ensino -, na administração Lula, o destaque foi dado para o ENEM, que, inicialmente seria para avaliar o ensino médio e depois tornou-se um instrumento para a seleção de estudantes para as universidades federais. Houve, de fato, uma mudança de foco na educação.
No governo Lula, para o ensino superior, houve, de um lado, a expansão de vagas nas instituições federais e, de outro, um "silêncio" quanto à avaliação das faculdades particulares. O resultado foi a demissão em massa de mestre e doutores. Em um artigo publicado na revista Caros Amigos (n. 120), em 2007, Alanna G. Garcia Alaniz afirmava: "Nos últimos dois anos, a cada fim de semestre, surtos de pânico acometem o corpo docente das instituições particulares de ensino superior. É que esse é o período de "tiro ao doutor' ."
Além disto, os representantes das instituições particulares defendiam que a universidade não precisava tratar de pesquisa, ensino e extensão, que isso só deveria acontecer em casos específicos. Ou seja, no geral, as instituições deveriam ter como função exclusiva o ensino. Isso, claro, comprometeu ainda mais a qualidade dessas escolas.
Outro ponto foi o avanço do EaD, aproveitando as novas regras da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996. Na prática, não havia só cursos a distância - ou semi-presenciais -, mas também várias disciplinas, dentro das faculdades, como Antropologia, Sociologia, Economia e Metodologia, passaram a ser oferecidas seguindo esse modelo. Nestes casos, não era necessário mais a existência de um educador dentro de uma sala de aula.
A LDB de 1996 possibilitou a criação da figura do centro universitário, que, como as universidades, teria uma maior autonomia, podendo, por exemplo, criar cursos e remanejar vagas, mas sem precisar desenvolver atividades de pesquisa e de extensão. Se até 1997, os donos das faculdades particulares investiam na contratação de mestres e doutores, na melhoria das bibliotecas e dos laboratórios, visando a transformação em uma universidade, depois daquele ano, todo esse esforço não seria mais necessário na medida em que tornar-se centro universitário seria algo mais vantajoso. Isso explica, em parte, a desvalorização dos professores-doutores.
Assim, com a demissão de mestres e doutores, o fechamento de cursos de mestrado e o abandono das atividades de pesquisa, os proprietários das instituições particulares poderiam oferecer cursos com mensalidades mais baixas (e qualidade duvidosa), contratando profissionais recém-formados - sem mestrado ou doutorado - para o corpo docente.
O resultado está aí. As lideranças brasileiras não deveriam apenas reclamar do "apagão de talentos", mas deveriam principalmente compreender como tudo isso aconteceu e, a partir desse esclarecimento, apresentar alternativas sérias visando a melhoria da qualidade do ensino superior no país.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

PODEROSOS INTOCÁVEIS

Nos programas populares sobre crimes e na linguagem dos policiais aparecem duas palavras fundamentais e opostas: trabalhador e malandro. O indivíduo seria uma coisa ou outra.
Uma das chamadas do Jornal Nacional em 1° de novembro de 2011 foi: "sobram vagas para os empregos temporários de fim de ano".
Em outras palavras, de acordo com os meios de comunicação de massa, só não trabalha quem não quer. O mercado faz a sua parte e oferece os empregos e caberia ao trabalhador decidir se aceita ou não. A escolha do trabalho seria uma decisão pessoal do indivíduo. Logo, se ele encontra-se desempregado, a culpa seria dele, que seria um malandro que desejaria só vida boa, ou seja, um irresponsável que não faz nada.
De fato, no capitalismo, quem não trabalha, estaria errado. "(...) A figura do homem trabalhador representou o ideal desta sociedade. Resta-nos perguntar: o que irá acontecer quando (...) à sociedade do trabalho, faltar o trabalho?" (Dahrendorf apud Masi)
É o que ocorre atualmente, após a revolução tecnológica dos computadores pessoais e a consolidação do processo de globalização.
A questão é avaliar até quando a ideologia dos meios de comunicação de massa conseguirá disfarçar um problema que é estrutural, do próprio modo de produção capitalista, e ainda colocar a culpa de tudo (individualmente) no trabalhador?
No discurso das elites, bastaria o indivíduo estudar, realizando um curso técnico ou uma faculdade, e ele teria o seu trabalho. Mas não existem empregos para todos!
Além disto, "a segurança provida pelos diplomas diminuiu, as aposentadorias estão ameaçadas e as carreiras já não se acham garantidas. (...) O vento virou e, para fugir dele, as multidões superqualificadas já mendigam funções obscuras dos quadros administrativos." (Corinne Maier, p. 16)
Perceber que existe algo errado não é difícil. O problema é a força da ideologia e dos meios de comunicação de massa, aliada a uma tendência do ser humano em fugir da realidade. O indivíduo dito normal, aquele da maioria, tem medo de si, do outro, do futuro... Precisa da fantasia, da novela diária, de acreditar que trabalhando ou estudando a semana inteira, será feliz no fim de semana...
Neste contexto, existem aqueles que se consideram os "poderosos intocáveis" (PI): são os indivíduos que enganam os outros, manipulam, se acham superiores, imbatíveis e acreditam que nunca serão derrotados. É comum encontrá-los entre os políticos.
Adolf Hitler tinha praticamente o controle de toda a Alemanha. Acreditava que pertencia a uma raça superior. Foi derrotado na Segunda Guerra Mundial. Suicidou. Recentemente, Suddam Hussein, controlava o seu país, o Iraque, atacou o Kuwait, desafiou a maior potência mundial. Foi preso (num buraco, com mais de 800.000 dólares), julgado e enforcado. Quem poderia imaginar que um dia Muamar Kadafi, após 42 anos no poder, seria preso em um esgoto, torturado e assassinado por seus opositores? Apesar de acreditar no domínio que tinham sobre seu povo, os três ditadores foram derrotados sobretudo por causa de um inimigo externo. E quando esse inimigo não ataca e o político acredita que possui o controle do seu povo? Trata-se do caso de Hugo Chávez, há mais de 10 anos no poder na Venezuela, mas, recentemente, descobriu que estava com câncer de próstata.
Mas, então, quem é imbatível, intocável? Quem vence? "Stalin dizia que, no final, é sempre a morte que vence." Ou seja, um dos maiores ditadores do século XX, pelo menos sabia de sua limitação - coisa que muitos indivíduos não perceberam ainda...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

EDUCAÇÃO, TELEVISÃO E NOVAS TECNOLOGIAS

Prof. Dr. Selmane Felipe de Oliveira

Ao longo dos "recentes séculos", a educação infanto-juvenil ficou a cargo, primeiro, da igreja, depois, da escola, e, finalmente, da mídia, em especial a televisão.
No Brasil, a televisão, a partir da criação do que seria a Rede Globo, na década de 1960, teve um papel importante de "integração nacional". As imagens da TV chegariam onde as rodovias e as ferrovias não conseguiram penetrar.
O problema inicial foi o contexto desta expansão. Havia uma ditadura militar no país. A Globo tornou-se, na época, quase uma porta-voz do Estado. Na medida em que a valorização da escola sempre foi um problema grave no Brasil, a maioria passou a buscar as informações na televisão. O aparelho virou o centro da casa e toda residência tinha uma TV. Era ali que se encontrava diversão, noticiário e esporte. O que não aparecia era assuntos relacionados à política, por ser um momento de ditadura. Existia ainda uma censura aos meios de comunicação, o que complicava ainda mais o processo.
A televisão, nas décadas de 1960 e 1970, funcionava como uma aparelho ideológico do Estado brasileiro, tratando de interesses da elite social. A frase pode parecer um velho dogma comunista, mas a realidade era essa. Ela jamais poderia ser considerada um instrumento de educação e esclarecimento para a população.
Com o fim da ditadura militar em 1985, o país mudou, mas a Globo continuou hegemônica. As eleições para presidente da República tornaram-se diretas, houve um revezamento de partidos políticos no poder e o país começou a participar mais ativamente do processo que viria a ser denominado "globalização". 
Com tal processo, a revolução tecnológica - com a criação do Computador Pessoal e da Internet (comercial) - passou a ser vista como uma ameaça a hegemonia da televisão, sobretudo após da década de 1990. Atualmente, os telefones celulares, com internet e redes sociais, influenciam transformações populares importantes, tanto em países como Egito, Líbia, Síria como Chile e Espanha. Estas transformações são lideradas por jovens.
Se havia um monopólio da informação com a televisão, o que criava um telespectador passivo diante de uma tela, com o computador, o celular e a internet, o processo foi outro, pois todos produziam e trocavam as notícias. O monopólio foi quebrado. A televisão, naquele modelo antigo, é uma ferramenta em extinção. Neste sentido, as novas tecnologias, apesar de todas as limitações, contribuíram mais para a educação das crianças e adolescentes do que as tentativas anteriores, não só pensando nos casos do rádio e da televisão, mas também nos papéis assumidos pela igreja e pela escola.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ESCRITOS & BLOGS

Tenho escrito textos opinativos desde 2010. A minha irmã me deu a idéia, afirmando que se falasse sobre as minhas experiências, eu poderia ajudar os outros. Inicialmente fui contra a idéia. Aliás, isso me lembra uma cena de "Californication", quando Hank - um escritor - ouve do seu agente que ele deveria um "blog". Ele recusa.
Existe uma história em quadrinhos de W. Ellis, D. Robertson e R. Ramos chamada "Transmetropolitan" (Vertigo, May 2000, p. 20) que, na conversa de duas garotas, uma afirma: 
"What sucks about my job is that I never expect it to 'matter'. I mean you've studied journalism too. You 'know' writers like spider aren't supposed to make any difference. They're not even relied upon to be 'right'. They're 'opinion' writers."
Sim, os textos opinativos são vistos como artigos "menores". Isso acontece pois não existe um trabalho minucioso de pesquisa. Trata-se basicamente de uma opinião (e cada um tem a sua, claro).
Enfim, após pensar sobre a idéia da minha irmã e, como afirmei em outro texto, influenciado por um depoimento de Henry Miller - "mas eu não vou parar de escrever, pelo menos vou querer me divertir com isso" pela leitura de "Mitologias" de Roland Barthes, mudei de idéia e comecei a escrever textos opinativos sobre vários temas. Publico-os em "blogs" e no meu "website". 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

LOU ANDREAS-SALOMÉ, HANNA ARENDT & SIMONE DE BEAUVOIR

Michel Foucault já destacava Marx, Nietzsche e Freud como os três pensadores mais influentes do século XX.

Quando penso em mulheres marcantes, penso em três nomes: Lou Andreas-Salomé, Hanna Arendt e Simone de Beauvoir.

Lou Salomé recusou o pedido de casamento de Nietzsche. Era amiga de Freud.

Hanna Arendt, judia, teve um caso com o seu professor, Heidegger, indicado pelos nazistas para ser reitor de uma universidade. Heidegger era leitor de Nietzsche. A irmã de Nietzsche cedeu seus trabalhos para os nazistas.

Em outra perspectiva, encontra-se Simone de Beauvoir. Não seria possível entender o movimento feminista sem estudar as suas idéias. Ela manteve uma longa relação amorosa e intelectual com Jean-Paul Sartre, que era leitor sobretudo de Karl Marx.

Discutir com pensadores como Nietzsche, Freud, Heidegger e Sartre. Ainda assim, manter uma independência na hora de criar a sua própria teoria. Precisa dizer mais sobre essas três mulheres?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

TAOÍSMO E BUDISMO

Atualmente, a concepção religiosa do mundo ocidental está baseada nas visões do judaísmo e, sobretudo, do cristianismo. Historicamente, foram produzidas outras religiões nos países orientais, como a China e a Índia. Dois exemplos seriam o Taoísmo e o Budismo.

São duas concepções diferentes e a mesma busca pelo bem-estar do homem. O "Taoísmo defende o 'deixa-estar' ['let-it-be'] (...) e um estilo de vida caracterizado (...) pelo cultivo da tranqüilidade." O Budismo "parte da idéias de 'samsara' (o ciclo do renascimento) e de 'karma' (conseqüências dos atos), e tenta encontrar um caminho para escapar do ciclo do renascimento. A fonte dos problemas (...) seria o desejo por riquezas, poder, prazer e assim por diante. Para eliminar esses desejos, nós deveríamos seguir o 'oitavo caminho' (eightfoldpath) e aceitar que a existência não é satisfatória nem permanente, (...) que tudo é transitório e que tudo depende de tudo no universo." [Charles Guignon (ed.) The Good Life, p. 1 and 73]

De um modo geral, filosofia e religião não são claramente separadas em muitas teorias orientais. A busca de respostas para a existência seria o eixo das duas concepções.

Pressupostos teóricos do oriente aparecem em filosofias e religiões ocidentais. O incômodo é o mesmo: a existência. Não existe uma resposta definitiva. Tanto no oriente como no ocidente, as teorias servem como parâmetros para melhorar o cotidiano das pessoas. Uma busca por uma resposta "absoluta", diante da angústia da condição humana, parece ser razoável. Mas, nesse caso, trata-se de fé e de uma escolha pessoal de cada indivíduo.

sábado, 28 de maio de 2011

O MEDO DO PASSADO

Atos comuns podem revelar algo que o indivíduo não tem consciência, por causa de resistências internas criadas por ele mesmo (ver Freud). Pode ser um trauma de infância ou algum problema grave que ele gostaria de "apagar" da sua memória.

No entanto, isso não acontece. Na vida adulta, o fato "omitido" pode retornar na mente da pessoa. Assim, surgem problemas que não são identificados de imediato, na medida em que existe uma recusa do indivíduo em admitir o trauma. Muitos conhecem as conseqüências deste processo, sobretudo no que se refere à insônia ou à falta de apetite.

Em suma, esquecer não é solução. Adiar não significa resolver. Talvez seja mais saudável admitir que derrotas e rejeições fazem parte da vida de qualquer pessoa.

O SER HUMANO

Pensar a condição humana é fundamental?

"Aprés quelques décennies passés sous le signe de 'la mort de l'homme', le travail qui s'ouvre aujourd'hui à la philosophie semble être de redonner une place plus essentielle à l'être humain." (Jacques-Emile Miriel, Magazine Littéraire, n° 394 p. 89):

De um ponto de vista geral, a humanidade não tem importância. Freud já afirmava que a sua extinção não representaria uma grande perda.

Por outro lado, Miriel chama a atenção sobre a necessidade de um retorno ao debate sobre o ser humano.

Seria como admitir a insignificância do homem, mas, ao mesmo tempo, reconhecer que ele não teria outra alternativa a não ser pensar sobre a sua condição. Parece algo dito por Sartre.

ÉTICA, PSIQUIATRIA E TELEVISÃO

Um psiquiatra conversa com o paciente e em seguida recomenda medicamentos para aliviar a dor. O psiquiatra lida com a emoção, algo que não aparece em exames. Ele indica o tratamento a partir da fala do paciente. É um jogo de acerto e erro. Se tal remédio não resolve, deverá ser adotado outro.

É interessante perceber que algo "não material" como a emoção, gera conseqüências reais no corpo humano. Uma vez, vi uma matéria na televisão na qual aparecia uma expressão: "síndrome do coração partido". Era dito que raiva, tristeza e estresse causam problemas no coração e pessoas ansiosas e com depressão teriam maior chance de infarto (ele seria resultado de pico de fúria de estresse). As respostas para alterar tais situações seriam conversas com amigos, rir e a ênfase em bons sentimentos.

A matéria na televisão, aparentemente, trata de coisas óbvias. No entanto, o método do psiquiatra para indicar os remédios não é baseado em exame de laboratório ou outra evidência científica. Mais do que a formação do médico, a sua postura ética é fundamental para que o resultado seja positivo. Nem sempre isso acontece. Existem as pressões dos laboratórios para vender os seus caros anti-depressivos. Ocorre ainda "o amor pelo dinheiro", que leva o psiquiatra a colocar os objetivos profissionais num segundo plano. Não é por acaso que vemos na televisão, algumas vezes, a prisão de médicos envolvidos em casos de corrupção.

A televisão funciona como um aparelho ideológico (Althusser). O papel da psiquiatria na história da loucura é questionável (Foucault). A atuação do psiquiatra, na atualidade, deve ser problematizada. O fato de ter feito uma faculdade e falar em nome da ciência, não garante que o médico esteja do lado da verdade.
Um psiquiatra conversa com o paciente e em seguida recomenda medicamentos para aliviar a dor. O psiquiatra lida com a emoção, algo que não aparece em exames. Ele indica o tratamento a partir da fala do paciente. É um jogo de acerto e erro. Se tal remédio não resolve, deverá ser adotado outro.

É interessante perceber que algo "não material" como a emoção, gera conseqüências reais no corpo humano. Uma vez, vi uma matéria na televisão na qual aparecia uma expressão: "síndrome do coração partido". Era dito que raiva, tristeza e estresse causam problemas no coração e pessoas ansiosas e com depressão teriam maior chance de infarto (ele seria resultado de pico de fúria de estresse). As respostas para alterar tais situações seriam conversas com amigos, rir e a ênfase em bons sentimentos.

A matéria na televisão, aparentemente, trata de coisas óbvias. No entanto, o método do psiquiatra para indicar os remédios não é baseado em exame de laboratório ou outra evidência científica. Mais do que a formação do médico, a sua postura ética é fundamental para que o resultado seja positivo. Nem sempre isso acontece. Existem as pressões dos laboratórios para vender os seus caros anti-depressivos. Ocorre ainda "o amor pelo dinheiro", que leva o psiquiatra a colocar os objetivos profissionais num segundo plano. Não é por acaso que vemos na televisão, algumas vezes, a prisão de médicos envolvidos em casos de corrupção.

A televisão funciona como um aparelho ideológico (Althusser). O papel da psiquiatria na história da loucura é questionável (Foucault). A atuação do psiquiatra, na atualidade, deve ser problematizada. O fato de ter feito uma faculdade e falar em nome da ciência, não garante que o médico esteja do lado da verdade.

FILOSOFIA DE BAR: EXISTÊNCIA

O que caracteriza um indivíduo é a sua incapacidade de lidar com a existência. Ele não nasce, ele é jogado na vida (John D. Biroc) sem saber o por quê. Sabe que morre e só. Deixa de existir? Existia antes?

Ele nada sabe sobre a vida. Mas, nas suas relações sociais, incomoda e marca os outros, de maneira consciente ou não. Assim, vive "nos outros".

Perde, portanto, o controle de sua vida, pois ela passa a "estar" na memória dos outros. Nesta perspectiva, nem o próprio indivíduo com o suicídio poderia destruir a si mesmo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

GERAÇÃO SANDY

A geração pós-guerra foi chamada de "baby boomers". Eu sou da chamada geração X. Depois vieram as gerações Y e Z. E daí?

Cada geração apresenta características próprias. Na década de 1990, foi apresentada uma série "Anos Rebeldes" (década de 1960), que, por tratar da rebeldia contra o regime militar, influenciou o movimento dos jovens conhecido como "caras pintadas", cuja meta era o "impeachment" do presidente Collor.

Atualmente, a referência é o filme Tropa de Elite, o que demonstra o conservadorismo e individualismo dos jovens. Muitos não sabem o que seria inflação. Nasceram depois disto. Não conseguem perceber como a vida seria possível sem internet e sem celular.

Esta geração cresceu com a dupla Sandy & Júnior como referência. Cresceu ouvindo sertanejo, pagode e axé, o que explica a naturalidade de ver atrações de estilos diferentes numa mesma noite em festivais de música.

Causa certa estranheza ver ídolos como João Gilberto (anos 1950), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque (anos 1960 e 1970), Cazuza e Renato Russo (anos 1980) comparados com as atrações atuais como Ivete Sangalo, Vitor e Léo, Alexandre Pires e Chiclete com Banana.

Dizer que houve uma vulgarização nos últimos anos, pode parecer saudosista. Talvez seja mesmo. Mas ouvir uma música de Chico Buarque ou de Renato Russo e, em seguida, ouvir a letra de algo na voz de Ivete Sangalo responde qualquer dúvida sobre que o teria alguma qualidade ou não.

Vale ainda destacar que tal superficialidade acaba associada a momentos constrangedores, que até então eram enfatizados pelos políticos brasileiros - um deputado mineiro acusado de plágio, para se defender, disse que tal prática seria comum na Assembléia Legislativa ou o governista Palozzi, afirmando, em sua defesa, que era comum um ministro sair do governo e prestar consultoria para empresas privadas.

A idéia seria: se todos fazem, logo o meu erro não poderia ser condenado e nem percebido como erro (?) já que é uma prática aceita pela sociedade (?). Os políticos esquecem que erro é erro e ponto final. Lembrar da gravidade do erro do outro não transforma o "seu erro" em acerto.

Sandy fez uma propaganda de cerveja sem gostar do produto. Basicamente, o que não servia para ela, Sandy recomendava para os outros ! Em sua defesa, disse que outros artistas teriam a mesma prática, seguindo a equivocada linha de raciocínio de muitos políticos brasileiros.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

1992 & 2008

Em fevereiro de 1992, após terminar o mestrado, estava sem trabalho e decidi usar o meu tempo livre para pesquisar no Arquivo Público Municipal. Coletei dados sobre um prefeito da década de 1950, mas isso não resultou em um artigo. Em agosto de 2008, sem trabalho novamente, resolvi fazer um sabático. Primeiro, passei uma ano saindo toda noite. Houve novas amizades, namoro, bares, boites, muita diversão e, claro, excessos. Num segundo momento, optei por ficar isolado e voltei a escrever. Entretanto, não retornei aos arquivos e nem a pesquisa científica. Estava meio influenciado por aquela fala de Henry Miller:

"Mas eu não vou parar de escrever, pelo menos vou querer me divertir com isso. Estou cansado de fazer coisas longas, sombrias e sérias."

O livro "Mitologias" de Roland Barthes foi uma referência na época também. Gostei da maneira como ele analisava os temas cotidianos e resolvi fazer o mesmo, escrevendo textos opinativos. Publiquei os textos no meu website e no meu blog. Desde dezembro de 2010, decidi ficar mais isolado e desliguei o celular, deixei de abrir a caixa de e-mails e de entrar nas chamadas redes sociais - "orkut", "facebook" e "twitter". Lia, escrevia algo e publicava na internet. Não sabia (e ainda não sei) quem lia e o que achava do que eu escrevia.

Permaneço com este método até hoje. Escrever é uma necessidade. Escrevo, antes de mais nada, para mim. Com a internet, existe a possibilidade de compartilhar com os outros, no blog e no website, o que eu penso. Não é um processo de comunicação completo pois não sei o que os leitores pensam. Mas, no meu caso, é um começo.

PESQUISAS CIENTÍFICAS E TEXTOS OPINATIVOS*

* Este texto foi publicado anteriormente em: http://profelipe.weebly.com/

Mais de 1.000 pessoas possuem os meus livros impressos da Rápida Editora.

Eu não sei a quantidade de livros vendidos pela Cabral.

Existem inúmeras "xeroxes" dos livros - fato que nunca me incomodou.

Tenho duas teses aprovadas - Mestrado na UFF/RJ em 1992 e Doutorado na PUC/SP em 1999.

Publiquei artigos em revistas científicas.

Nos meus blogs e em alguns livros virtuais (após 2010), os leitores encontrarão textos opinativos.

CARREIRA SOLO

Nas tais fases, ultimamente sigo a teoria dos 3 "s": Sozinho / Sem compromisso / Sem encher o saco.

O fato de preferir ficar sozinho lembra uma declaração do John Lennon (Playboy - Entrevistas, p. 303):

"Quando você tem 16 anos é certo ter companhias e ídolos masculinos. É a coisa da tribo, tudo bem. Mas, quando você ainda faz isso aos 40, significa que, na cabeça, você ainda não passou dos 16."

Provavelmente, depois dos 30 ou 40 anos, a opção seja a "carreira solo" mesmo. Por quê?

Primeiro, seria meio patético sair todo final de semana com a turma da quinta série, afinal, a maioria casou, tem filhos e vários compromissos. Sempre achei desagradável aquele tipo de festa para reunir a galera da "década de 1980". Todos envelheceram, engordaram e, pior, as mais cobiçadas da época agora parecem aquela sua tia solteirona.

Em segundo lugar, parece ser um processo natural, como a tese defendida na série "Sex and The City": "quando ficamos mais velhos, os grupos ficam cada vez menores." Tenho 50 anos e os amigos da minha idade estão na fase de serem abandonados pelas esposas e, em alguns casos, de voltarem, após décadas, a morar com os pais.

Uma terceira hipótese seria a crise da meia idade. Como diz um amigo, após os 50 anos, entramos numa contagem regressiva... O medo da morte agrava as crises - como divórcio, falência, prisões ou desemprego - e reforça a busca por alternativas que, aos olhos da maioria, parecem bizarras: comprar um carro vermelho, namorar garotas muito mais novas, usar pulseiras e colares de ouro, fazer infinitas plásticas em vários lugares do corpo, ficar careca mas deixar o cabelo comprido na nuca, entre outras coisas.

Ser criança é ótimo, tudo é novidade e a responsabilidade é zero. Ser adolescente é problemático, como toda fase "intermediária". Ser adulto, assumindo a responsabilidade dos seus atos (e dos outros) é um saco. Aqui, para alguns, a única vantagem seria humilhar crianças e adolescentes. Ser velho é ser sozinho ou aceitar aquilo que antes não seria razoável. Contagem regressiva é uma maneira educada de admitir a decadência. E o pior, para muitos, ainda estaria por vir: a morte, claro. Um resumo interessante pode ser aquela frase citada no filme "Wall Street - Money never sleeps":

"Getting old is not for sissy, kid."

1848 & 2011

O que Karl Marx e Friedrich Engels afirmaram em 1848, é ainda mais verdadeiro no mundo atual:

"Die Bourgeoisie hat durch ihre Exploitation des Weltmarkts die Produktion und Konsumtion aller Länder kosmopolitisch gestaltet." (Manifest der Kommunistischen Partei, Voltmedia, p. 18)

Sim, a burguesia transformou o mundo, ditando o que produzir e o que consumir. A escolha de uma classe foi imposta como se fosse a maneira "natural" de existir de todos os seres humanos, em qualquer parte do planeta.

A última revolução tecnológica (computadores pessoais e internet) apenas consolidou o que antes poderia ser visto como um projeto. A contradição básica do capitalismo, com a acumulação de riqueza nas mãos de uma minoria, não mudou.

Na época de Marx e Engels, a resposta para este problema era uma revolução do proletariado. Contudo, após a crise dos países do leste europeu, esta solução passou a ser questionada, o que, fortaleceu, ao mesmo tempo, a ideologia do capitalismo.

A constatação de 1848 vale para 2011. A questão atual é, como diria Lênin, o que fazer? O capitalismo não atende os interesses da maioria. Muitas experiências de revoluções comunistas fracassaram. Existiria outra alternativa? A certeza de que o capitalismo é necessariamente um modo de produção que precisa excluir as pessoas não garante uma resposta quanto ao modelo econômico que deveria ser colocado no seu lugar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

FACULDADE E DESEMPREGO

Numa semana em que o diretor do FMI foi preso na primeira classe de um avião, tentando fugir da violência sexual cometida contra uma camareira no hotel em que estava hospedado, cuja diária era de 3.000 dólares, estudantes em Madri fizeram manifestação em praça pública contra o desemprego. Na Europa (e em outras partes do mundo), a situação não é simples. Na Inglaterra, o custo triplicou no que diz respeito ao ensino superior. O dilema é óbvio: pagar caro para fazer uma faculdade e depois ganhar um salário baixo ou ficar desempregado. Lembra a fala de Don Tapscott (citada em outro artigo):

"Os jovens de hoje cresceram ouvindo que se estudassem com dedicação e não se metessem em problemas teriam uma vida confortável na idade adulta. Mentimos para eles. Chegaram ao mercado de trabalho e não há emprego." (Veja (13/04/2011, p. 23)

No Brasil, a situação ainda é mais complicada, afinal, após a estabilidade da economia em 1994 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação em 1996, houve a expansão do ensino superior nas universidades particulares, que hoje respondem por 70% do mercado do país. O problema é a qualidade. Numa nota até cinco, 40 % dessas faculdades ficaram com 1 ou 2. O resultado prático é a formação de um profissional que não está adequado para o mercado.

Essas universidades demitiram em massa mestres e doutores. Não se preocupam com pesquisa e extensão. A conseqüência está aí. O desenvolvimento econômico exige profissionais que as universidades não podem oferecer. E o governo? Oficialmente, diz que fiscaliza. Na prática, as regras do Ministério da Educação não são respeitadas pelos donos de faculdades.

Existe gente que ainda defende uma política mais flexível quanto ao ensino superior, o que só pioraria a situação. Em especial no governo Lula, o elogio da ignorância e o desprezo pelos pesquisadores complicaram o que já era ruim. Neste contexto, os empresários reclamam que não encontram profissionais qualificados, ou seja, existem profissionais, mas que não são qualificados o suficiente para atender o mercado.

A administração Lula acreditava que seria possível crescer economicamente sem levar em consideração a qualidade do ensino superior. O resultado está aí. Além de depender da tecnologia estrangeira, agora querem importar trabalhadores qualificados de outros países. Ainda assim, o governo anterior ainda dizia que o Brasil seria uma potência mundial. O discurso foi um e a realidade do país, na atualidade, tornou-se outra.